Programa Diocesano de Pastoral 2009-2010
1. De há anos a esta parte a nossa Diocese tem procurado construir a unidade da Igreja também através da coordenação da acção pastoral, na consciência de que esta, devidamente harmonizada e programada deve exprimir e ajudar a realizar a unidade da nossa Igreja diocesana. Considero ser essa uma dimensão importante no ministério do Bispo diocesano: fazer convergir para a unidade a imensa variedade de ministérios e serviços, de organizações e carismas, de sensibilidades e perspectivas complementares. Tenho consciência de que ainda o não conseguimos completamente. Ainda há agentes de pastoral com autonomia de critérios, há expressões de visões muito particulares da Igreja, há estabelecimento de prioridades que não correspondem, por ventura, ao momento presente da missão da Igreja. Mas não podemos desanimar nesse esforço, que considero expressão da nossa fidelidade à missão: é por isso que teimamos em programar a acção pastoral.
2. Esta não é tarefa fácil. O núcleo central da missão da Igreja é perene e imutável: anunciar Jesus Cristo para levar as pessoas a acreditarem n’Ele; aprofundar essa fé, transformando-a em vida, através de uma sólida e continuada formação cristã; celebrar bem essa fé; dar testemunho, pelo modo como se vive a realidade humana transformada pela novidade de Cristo ressuscitado. Esta é a missão da Igreja, povo do Senhor, que vive no tempo e no enquadramento especÃfico do presente de cada comunidade. A Igreja será sempre experiência de encarnação, o que pode introduzir na sua acção pastoral variáveis a sugerirem opções prioritárias, que nunca podem relativizar a amplitude da missão. Essas opções que respondem a variáveis de cada comunidade no realismo do seu presente histórico têm de ser caminhos para a totalidade da missão, ou seja para o crescimento da Igreja.
Acresce que uma Diocese é uma “porção†da totalidade da Igreja, o que exige que a dimensão particular de uma Igreja encarnada no espaço e no tempo, não pode nunca fechar-se aos desafios da missão e da comunhão universais. Os “cismas†podem também exprimir-se em visões particulares que se fechem à comunhão universal. E vivemos num tempo de grande riqueza de desafios universais, lançados na maior parte dos casos, pelo Santo Padre, Pastor Universal. Lembremos as concretizações mais recentes que influenciam, necessariamente, a programação diocesana: o Jubileu do ano 2000; os SÃnodos sobre a Eucaristia e sobre a Palavra de Deus; o Ano Paulino; o Ano Sacerdotal. A nossa programação diocesana tem procurado integrar estes desafios universais, que não podem ser apenas aspectos sectoriais, mas concretização do caminho fundamental da Igreja.
3. Porque o objectivo fundamental é sempre o mesmo, edificar a Igreja, corpo de Cristo, a programação pastoral tem que incluir, na especificidade de cada Ano, a continuidade das opções pastorais dos anos anteriores. Um exemplo, a vivência do Ano Paulino não pode ser um capÃtulo encerrado. Conciliar continuidade com novidade de opções é um segredo que só a paixão de Cristo e pelo essencial da missão da Igreja podem garantir. Para responder à inserção no tempo concreto que vivemos, a Igreja é chamada a centrar a sua acção nos meios decisivos para a sua realização, que são sacramentais em sentido amplo, isto é, meios humanos em que se exprime e actua a força transformadora do EspÃrito. Temos que dar continuidade à lógica da graça e à natureza sobrenatural da vida cristã, para que a Igreja possa ser, no mundo de hoje, um sinal do Reino de Deus, interpelante e motivador de esperança.
Se este ano, na linha do último SÃnodo dos Bispos, continuamos a acentuar o papel da Palavra de Deus na edificação da Igreja, é porque sabemos que quanto mais aprofundadamente acolhermos a Palavra, melhor celebraremos os sacramentos, nos abriremos à experiência da oração, daremos testemunho, na vida, da novidade cristã e ensinaremos os cristãos a ler a realidade e a história à luz da fé. Que ninguém isole as opções particulares do todo do mistério; que ninguém as recuse ou minimize em nome de outras visões ou opções. A Igreja é um povo guiado pelos seus pastores e essa é a concretização sólida da sua unidade sempre renovada.
Lisboa, 28 de Junho de 2009
†JOSÉ, Cardeal Patriarca
PROGRAMA TRIENAL DE PASTORAL 2009-2012
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OBJECTIVO FUNDAMENTAL:
Partindo da dinâmica em torno do último SÃnodo dos Bispos e na atenção à s circunstâncias do mundo, o próximo programa trienal de pastoral terá como objectivo fundamental levar os cristãos e as comunidades a assumir a Palavra de Deus como luz para a vida; alimento da oração; forma da comunidade e sustento da Missão.
OBJECTIVOS ANUAIS:
Na expectativa da próxima Exortação Apostólica pós-sinodal, apenas se apresentam os objectivos para o primeiro ano, inspirados na Mensagem do último SÃnodo dos Bispos ao povo de Deus. Assim, procurar-se-á:
1) Fomentar o encontro com Cristo – rosto da Palavra
Proporcionar um conhecimento e uma relação adequada dos cristãos e das comunidades com a palavra de Deus, fomentando o encontro com Cristo – Rosto da Palavra: “a fé vem da pregação e a pregação surge da Palavra de Cristoâ€. (Rom 10, 17)
2) Fomentar a construção da Igreja – casa da Palavra
Aprofundar a vivência comunitária da Palavra de Deus, fomentando a construção da Igreja – Casa da Palavra: “A palavra de Cristo habite em vós com toda a sua riqueza.†(Col 3, 16)
3) Fomentar o compromisso na Missão – caminhos da Palavra
Incentivar nos cristãos e nas comunidades o empenho no anúncio da Palavra de Deus como inerente à vida cristã, fomentando o compromisso da Missão – caminhos da Palavra: “Ai de mim se não evangelizar!†(I Cor 9, 16)
OBJECTIVOS SECTORIAIS:
Os objectivos sectoriais desenvolver-se-ão nas paróquias, movimentos e serviços da Cúria, dando expressão aos objectivos anuais, tanto em acções especÃficas como em outras de natureza transversal. Neste campo prevê-se:
1) Continuar a animar os fiéis para a animação da sociedade e da cultura a partir do Evangelho e do ensino da Igreja, nomeadamente da Doutrina Social da Igreja.
2) Acentuar a dinamização do culto eucarÃstico, com o contributo das irmandades do SantÃssimo.
3) Desencadear acções diversas em ordem à vivência do ano sacerdotal.
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